sábado, 17 de outubro de 2015

Estranho

Como é estranho voltar aqui depois de tanto tempo. Sei que esse espaço se tornou um cemitério, aliás mas inabitado  que um cemitério.
O tempo que não existe, passou. Fez eco nas salas e nas almas, o tempo fez tudo ter outra pespectiva, outro modo de ser. Existem agora reticências, parentêses abertos e uma multidão de incertezas.
Saí lendo tudo que aqui escrevi, já não sou a mesma de cinco anos atrás, procuro o sorriso daquela outra Tânia e não acho. Taciturnei um pouco, saí falhando indiscriminadamente e destruindo com pés, lingua e mãos o meu proprío castelo.
Agora o observo, despedaçado. Todas as janelas no chão..
 
Deveria haver um manual, um grande livro que nos ensinasse a viver sem cometer esses erros.  Remexendo papéis encontrei cartas e fragmentos de  um amor. E ai aqui ,li uma declaração : "Desculpe por invadir, sendo eu como sou cedo ou tarde aconteceria."  

E fui lendo e viajando para o Humaitá (solo sagrado no meu coração),  fui andando pelo bomfim, Roma, caminho de areia, uruguai.. Eu Fui nos vendo em cada um desses lugares, ouvi nossos risos e senti nossos longos beijos apaixonados. Vi nossas noites em claro, nossas longas conversas.. Fiquei gravando o som daquela voz..

Abri os olhos e a realidade fez o sol escurecer. Eu joguei fora  o amor mais puro e real que  consegui sentir, por medo, cansaço e por achar que não fazia mais ele feliz.  De todoa os motivos, esse  ultimo, foi o mais forte e real.


Agora, ele já não me quer. Nos tornamos estranhos amigos. Ver ele doí. Falar com ele doí. Por que tudo é superficial. E superficialidade é algo incomum pra nós dois.

E foi necessário que tudo acabasse, pra que eu visse tudo que queria. Que embora ele seja raivoso e mau humorado e pareça nunca crescer, eu nunca desisti da ídeia de me casar com ele. E falo de casar mesmo, com festa e tudo. Eu sei que me irritaria mt com ele, mas eu me irrito com tudo mesmo, mas lá no fundo sempre soube que seriamos felizes juntos.
Mas tive medo mesmo. Da incostância e da falta de maturidade. Nunca quis que ele perdesse o jeito rebelde. Foi o que me cativou, essa coisa de ser poha louca, mas tenho Luna e quando se tem um filho, não da pra não temer ou não desejar segurança.
Agora é tarde demais. Cinco anos se passaram e quem eu amo, hoje já não me quer.

E como eu sinto falta dele dizer que me ama.

Dele me abraçar. De me amar segurando minhas mãos. Sinto falta de ver ele sorrir e de achar que um dia dividiriamos nossas vidas até a morte nos separar.

Mas eu sempre vou lhe amar, preto.
Só preciso me acostumar com a idéia dos sonhos que jamais vão se realizar.

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